Permet, a Cidade das Rosas: Gastronomia, Cultura e os Segredos que Só os Locais Sabem

Há cidades que existem no mapa e há cidades que existem na memória. Permet é das segundas. Encravada no Vale do Vjosa, a 230 km de Tirana e a poucos quilómetros das Termas de Benja, esta pequena cidade albanesa de pouco mais de 8.000 habitantes guarda uma das identidades culturais e gastronómicas mais ricas e intactas de toda a Europa do Sul — e quase ninguém sabe que existe.

Conhecida em toda a Albânia como a “Cidade das Rosas”, Permet é membro oficial do movimento Slow Food, representou o país no prestigioso Salone del Gusto de Turim, e tem tradições culinárias que datam de séculos antes de qualquer guia de viagem ter chegado por cá. O que vais ler a seguir são os segredos que só descobres quando te sentas à mesa com uma família local, perguntas o que há para provar e ouves a resposta com atenção.

Caminhantes no leito do rio Langarica entre paredes de rocha, Canyon de Langarica, Albânia
O vale que rodeia Permet — o mesmo rio Langarica que alimenta as Termas de Benja atravessa uma das paisagens mais intocadas da Europa.

O Gliko: O Doce que Demora 30 Dias a Fazer

Se houvesse uma única razão para ir a Permet além das termas, seria o gliko. Reconhecido oficialmente como Presidio Slow Food, o gliko de Permet é uma compota de fruta inteira — nozes verdes, figos selvagens, ameixas, damascos, cerejas, casca de laranja, melancia, beringela — preparada durante semanas num processo artesanal que a Fundação Slow Food descreve como uma das tradições gastronómicas mais ameaçadas da Albânia e que Permet está a preservar com orgulho.

O processo é demorado: a fruta é selecionada à mão, mergulhada em água com cal durante dias, lavada repetidamente, e depois cozida com açúcar em tacho de cobre ao lume aberto — com algumas famílias a fazer o processo em duas fases, deixando repousar de um dia para o outro para que a fruta liberte a própria água. O resultado é uma compota de uma intensidade de sabor impossível de encontrar num supermercado.

A tradição local dita que quando chega um visitante a casa de uma família de Permet, o primeiro gesto de boas-vindas é uma colher de gliko numa tigela de vidro, acompanhada de um copo de água fria. É hospitalidade albanesa na sua forma mais pura — e é de graça, porque é feita com o coração. O gliko de noz é o mais famoso, mas o de figo selvagem é o segredo que os locais partilham só com quem pergunta.


O Raki de Permite: O Melhor do País (É Isso que Dizem os Albaneses)

Em toda a Albânia há raki. Mas o raki de Permet tem reputação própria — e quem conhece o país confirma: é considerado por muitos albaneses como o melhor do país. Produzido artesanalmente a partir de uva, ameixa, amoreira e marmelo por famílias que passam as receitas de geração em geração, o raki de Permet tem uma suavidade e um aroma frutado que o distingue das versões mais ásperas que encontras noutras regiões.

A dica da comunidade de viajantes independentes: procura o restaurante Mengjezore, onde os próprios clientes habituais recomendam especificamente o raki local — “supposedly some of the best in Albania”, nas palavras de um canal de viagens britânico que visitou Permet e comeu ali todos os dias da estadia. O ambiente é despretensioso, a comida é caseira e o preço é tão baixo que parece erro de cálculo.


O Vinho Debinë: A Casta Que o Mundo Não Conhece (Ainda)

A Debinë é uma casta autóctone branca, cultivada exclusivamente na região de Permet há séculos, e que chegou a representar a Albânia no Salone del Gusto de Turim em 2012. Produz um vinho branco fresco, aromático e ligeiramente mineral — perfeito para acompanhar o queijo branco local, a truta do Vjosa grelhada ou simplesmente para beber à sombra de uma vinha no fim de tarde.

O Debinë raramente chega às prateleiras fora da Albânia. A maioria da produção é consumida localmente, em restaurantes familiares e em casas particulares. Experimentar um copo de Debinë em Permet é uma daquelas experiências que os enófilos guardam para si como um segredo demasiado bom para partilhar — mas nós partilhamos na mesma.


A Gastronomia que Vai Além do Gliko

Permet é cidade do Slow Food e a cozinha local reflete exatamente isso: ingredientes da terra, receitas herdadas, nada de pressa. Uma refeição típica numa casa de família ou num restaurante tradicional pode incluir:

  • Gjellë shqeto: Sopa leve de borrego com iogurte de ovelha — reconfortante, suave, inesquecível
  • Drudha: Estufado de frango desfiado com broa de milho esfarelada — o comfort food albanês por excelência
  • Byrek de espinafres e queijo: A massa folhada albanesa, feita à mão, com camadas que derretem na boca
  • Pimentos recheados com arroz e ervas: Da horta para a mesa, sem intermediários
  • Borrego assado lentamente com batatas de montanha: O prato festivo que as famílias fazem quando chegam visitas especiais — se te servirem isto, és visita especial
  • Reshedi: Pudim denso com calda de açúcar — a sobremesa que termina qualquer refeição que se preze
  • Queijo branco de ovelha e manteiga salgada de ovelha: Produzidos nas aldeias nas montanhas circundantes, servidos no pequeno-almoço com pão caseiro e mel de montanha

Uma refeição completa com v

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