· Ricardo Guedes · América do Sul · 6 min read

Residência no Paraguai para brasileiros: documentos, custo e passo a passo pelo Mercosul

Como tirar a residência no Paraguai sendo brasileiro: documentos da temporária Mercosul, taxa de G. 2.230.040, prazo para a permanente e quando sai a cédula.

Como tirar a residência no Paraguai sendo brasileiro: documentos da temporária Mercosul, taxa de G. 2.230.040, prazo para a permanente e quando sai a cédula.

A residência no Paraguai para brasileiros é a residência temporária do Acordo de Residência do Mercosul: um documento concedido pela Dirección Nacional de Migraciones (DNM), em Assunção, que vale dois anos, não pode ser prorrogado e custava G. 2.230.040 (cerca de US$ 330) em 2026. Ela não exige comprovação de renda, oferta de emprego nem investimento. Antes de vencer, você troca a temporária pela residência permanente Mercosul, e só então recebe a cédula de identidade paraguaia, válida por dez anos.

Em uma frase: são dois pedidos (temporária e permanente), um documento final (a cédula) e uma regra que derruba muita gente, a de que o pedido é pessoal e presencial.

Quem tem direito à residência Mercosul no Paraguai?

A residência temporária Mercosul vale para cidadãos de Argentina, Brasil, Uruguai, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador, segundo a lista divulgada pela Agência IP, a agência oficial de notícias do governo paraguaio, em maio de 2026. A nacionalidade brasileira é o critério. Não importa se você vai trabalhar, estudar, abrir empresa ou viver de renda.

Quem não é de um desses países segue o regime geral da Lei 6.984/2022, que custa mais (G. 2.787.550), pede certificado da Interpol e declaração da atividade que a pessoa vai exercer. Para um casal em que só um dos dois é brasileiro, vale checar qual regime se aplica ao cônjuge estrangeiro antes de marcar a viagem.

Quais documentos o brasileiro precisa para a residência temporária?

Os documentos para a residência temporária Mercosul, conforme a Migraciones, são:

  1. Documento de identidade válido (RG ou passaporte), o mesmo usado para entrar no Paraguai.
  2. Certidão de nascimento brasileira, apostilada.
  3. Antecedentes criminais do Brasil, normalmente a certidão da Polícia Federal, apostilada.
  4. Antecedentes para estrangeiros emitidos no Paraguai, pela Polícia Nacional.
  5. Certidão de estado civil, quando for o caso (casamento ou divórcio), apostilada.
  6. Constância de entrada no país, o registro migratório da sua entrada.
  7. Declaração juramentada de não ter antecedentes internacionais.
  8. Comprovante de presença no país, conforme a orientação do guichê.

Documentos brasileiros em português dispensam tradução oficial, segundo a Forbes Paraguay. O apostilamento, por outro lado, é obrigatório e é feito em cartório no Brasil, o que significa resolver essa etapa antes de viajar. Para menores de idade, entram também os documentos dos pais e autorização notarial se um deles não estiver presente.

Como registrar a entrada no Paraguai corretamente?

A constância de entrada é o documento que mais trava processos de brasileiros, e o motivo é geográfico. Quem cruza a Ponte da Amizade a pé ou de carro para fazer compras em Ciudad del Este normalmente não passa pelo controle migratório, e sem esse registro a Migraciones não tem como comprovar que você está legalmente no país.

Posto de controle de fronteira na entrada de Ciudad del Este, vindo da Ponte da Amizade

Foto: Falk2, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A solução é simples: ao chegar por terra, pare no posto de migração paraguaio e peça o registro de entrada com o documento que você vai apresentar no processo. Se você entra com RG e depois apresenta passaporte, a numeração não bate. Quem chega de avião ao aeroporto Silvio Pettirossi, em Assunção, já passa pela imigração e recebe o registro automaticamente.

Quanto custa e quanto tempo demora a residência?

A residência temporária Mercosul custa G. 2.230.040 pela tabela oficial de tarifas da Migraciones citada pela Forbes Paraguay em janeiro de 2026. Somam-se o apostilamento no Brasil (cobrado por documento no cartório), o certificado de antecedentes da Polícia Nacional e, se você contratar, o gestor ou advogado que acompanha o processo.

O prazo de análise não é publicado oficialmente, e a própria Migraciones avisa que apresentar a documentação não garante a aprovação. O que ajuda: a apresentação inicial tem de ser sua, mas o acompanhamento pode ser feito por um representante legal autorizado, o que poupa viagens a Assunção para quem mora no interior.

EtapaOndeCusto de referência
Apostilamento dos documentosCartório no Brasilpor documento
Antecedentes para estrangeirosPolícia Nacional do Paraguaitaxa local
Residência temporária MercosulDirección Nacional de MigracionesG. 2.230.040
Residência permanente MercosulDirección Nacional de Migracionestarifa vigente na data
Cédula de identidadeDepartamento de Identificacionestarifa vigente na data

Como passar da residência temporária para a permanente?

A residência permanente Mercosul é pedida na própria Migraciones e pode ser solicitada a partir de 90 dias antes do vencimento da temporária. Como a temporária Mercosul não pode ser prorrogada, perder esse prazo significa perder os direitos migratórios acumulados e, na prática, recomeçar.

Vista noturna dos prédios do centro de Assunção

Foto: Cmasi, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A regra prática: marque na agenda o dia exato em que faltam 90 dias para o vencimento e já deixe os antecedentes renovados nessa data, porque certidões têm validade curta e costumam ser pedidas de novo na fase permanente.

Quando o brasileiro recebe a cédula paraguaia?

O brasileiro recebe a cédula de identidade paraguaia só depois da residência permanente Mercosul. Essa é uma diferença importante em relação ao regime geral, em que o estrangeiro pode tirar uma cédula com a mesma validade da residência temporária. Pela via Mercosul, a cédula sai uma única vez, após a permanente, e vale dez anos.

A cédula importa mais do que parece. É com ela que se pede o certificado de residência fiscal, se abre conta em muitos bancos sem dor de cabeça e se resolve a vida cotidiana. Por isso, os dois primeiros anos de quem se muda costumam ser de “meia vida burocrática”: residente legal, mas ainda com passaporte ou RG brasileiro como documento principal.

Brasileiro pode trabalhar no Paraguai durante o processo?

Sim. A residência temporária Mercosul permite trabalhar e exercer qualquer atividade lícita durante os dois anos de validade. Para trabalhar como autônomo ou abrir empresa, o passo seguinte é a inscrição no RUC, o cadastro de contribuintes da DNIT, a receita federal paraguaia. O que muda no imposto de renda, dos dois lados da fronteira, está explicado no guia completo de morar no Paraguai, que também traz custo de vida e cidades.

Resumo: residência no Paraguai para brasileiros

  • Regime: residência temporária do Acordo Mercosul, válida por dois anos e não prorrogável.
  • Custo: G. 2.230.040 de taxa em 2026, mais apostilamentos e certidões.
  • Documentos-chave: RG ou passaporte, certidão de nascimento, antecedentes do Brasil e do Paraguai, constância de entrada, tudo apostilado. Português dispensa tradução.
  • Armadilha mais comum: entrar pela Ponte da Amizade sem registrar a entrada na migração.
  • Permanente: pedir a partir de 90 dias antes do vencimento da temporária.
  • Cédula: só depois da permanente, com validade de dez anos.

Antes de reunir os papéis, confirme as tarifas e a lista atualizada na Dirección Nacional de Migraciones, porque os valores são reajustados ao longo do ano.

Foto de capa: Cmasi, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

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